O que se desvela e o que se vela a partir da expressão Império das Imagens? A inelutável modalidade do visível – expressão joyceana – ganha um novo porte no século das câmeras e telas de todos os tipos. Um império, a seguir a referência de nosso campo, é no mínimo uma expressão inédita já que a fragmentação simbólica exclui no mundo contemporâneo qualquer mestre que se preste a ser absoluto. Deve-se portanto levar a expressão Império a um segundo grau de leitura. As imagens imperam sem veicular sentidos, leis ou normas. Elas imperam porque nos escravizam, mas nada desejam. Elas imperam no vácuo da inexistência do Outro, como puro semblante do que se vela, ou seja, o próprio olhar.

O VII ENAPOL terá como tarefa investigar a vacância desse olhar na clínica atual, cada vez mais tomada pela sedução do corpo visível. A fascinação pelos scanners e tomografias alimenta o projeto de transformar o humano em uma matéria transparente, sem pontos obscuros ou impenetráveis. A psicanálise, nesse sentido, destoa ao propor um pouco de opacidade. Aposta-se numa clínica que reconhece que o real não é todo visível. Para além das imagens trata-se de sustentar um olhar clínico que sabe que todo caso contém um ponto cego, trata-se do gozo que é irredutível à imagem de si mesmo. Há algo que sempre excede à imagem, e que nunca encontrará um leitor ótico que decifre seu código de barras. As três Escolas da América já iniciaram seus trabalhos. Nosso boletim é o ponto de Encontro que antecede o Encontro Real, eis um bom uso da virtualidade.

Marcelo Veras

Diretor Geral da Escola Brasileira de Psicanálise (2013-2015)