image008- doraEstá chegando o momento de concluir, de colher os frutos de mais de um ano de trabalho que nos une no Império das Imagens. Imagens e Imaginário, diferentes entre si, se enlaçaram na imensa produção que os 11 flashes publicaram e perscrutaram: as relações com o corpo, com o olhar, com o mundo e com a atualidade, dentre outras particularidades. Como nem tudo é possível de ser dito, também nem tudo pode ser visto, a não ser…

Monica Torres, no texto Imagens deslumbrantes, eclipse das palavras, nos conta sobre suas leituras sobre o tema; além dos autores, leu revistas e notou que a programação cultural em Buenos Aires, ao menos naquela semana, se dedicava às imagens, nem sempre deslumbrantes. “O mundo é daquilo que se vê e se faz ver”. Há uma avidez por imagens, eis o império das imagens em suas vertentes de imperativo e de predomínio, poder e dominação. Nossa civilização se apoia no olhar, no tudo a ver, no tudo a controlar, mas nem tudo se vê – há o real que não se rende às imagens. Elas o velam e também podem tocá-lo, conclui a autora.

Lacan disse que o mundo é imaginário, também que o mundo é omnivoyeur e, Fernando Gómez Smith acrescenta, exibicionista Tudo a ver e tudo dar a ver! Em seu texto O ampay, termo do argot popular, nomeia-se a mostração nas TeVê´s daquilo que não seria para ser mostrado, o privado é “publixado”, como bem querem os paparazzis. Ao final, Fernando observa que o olhar absoluto, o Outro absoluto, fora do Simbólico, faz emergir o estranho, o Unheimlich.

Vemos, então: Na época do império das imagens, um homem sem vergonha (Liliana Bosia). Bem a calhar! Este Outro, primordial, não julga, vê e dá a ver, mas é sem-vergonha! Isso é feito para gozar, mediante o olhar: está nas redes sociais, nos reality shows… Lizbeth Yanet aproxima a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, como querem a publicidade e o discurso capitalista, da imagem para o autista. Para o sujeito autista, uma imagem (é) sem valor porque não há a dimensão de sugestão, não há Outro, simplesmente é.

Maria Fátima Pinheiro mostra a diferença entre imagem visível e invisível articulando as imagens invisíveis à exposição de Sophie Calle Pour la dernière et pour la première fois. Depois de ressaltar a condição para que uma imagem evoque o indizível e o inexprimível, estar atrelada ao Simbólico, demonstra que a intrusão do significante no corpo dá à imagem o poder de perturbar.

E Joyce? A inevitável modalidade do imaginário é o mote de Mayra de Hanze quando remete a Miller, que cita Joyce “a inevitável modalidade do visível”, para localizar a prática psicanalítica: “a modalidade inevitável do dizível”, que, ao final, “a imagem é uma inevitável modalidade do fantasma”. Imaginário, visível, dizível e fantasma são termos que se superpõem frente à função do impossível a evitar, ou seja, fazer consistir o corpo, mais além do sentido. Da imagem ao imaginário seria um bom articulador destes textos.

E, mais além dos escritos, o que “ouvivemos”?: Raúl Antelo (professor titular de literatura brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina) que participará do VII Enapol conversando com Maria Adelaide Amaral (periodista, escritora, dramaturga) e Regina Silveira (artista multimídia, gravadora, pintora), na plenária A Arte e o Império das Imagens. Boa leitura e até logo! Já que nem tudo é imagem, imaginário, dizer, ouvir, ver, fantasia, arte…

Carmen Silvia Cervelatti