2015-04-05 13.15.36Luzes e sombras

Silvia Salman

O império das imagens não é o reino da transparência.

O tratamento das luzes e das sombras é talvez um dos elementos mais importantes, tanto na arte como na fotografia e no cinema, campos da cultura nos quais a imagem tem também um lugar preponderante. A cor, a textura, o espaço, o volume, tudo isso faz com que a obra se expresse e seja vista de determinada maneira.

O uso da luz foi o ponto chave nas composições impressionistas, como a intensidade do claro-escuro foi primordial para o barroco. Iluminando alguns planos, sombreando outros com mais ou menos contrastes, uma parte da imagem pode brilhar enquanto outra permanece opaca.

A primazia da imagem que caracteriza nossa época, na qual novos suportes tecnológicos dão lugar a novos conteúdos e novas formas de narrá-los, não impede que a psicanálise se interrogue sobre o limite entre o visível e o invisível. Os esquemas ópticos de Lacan mergulham nesse campo que admite algo do não representável, até chegarem a circunscrever aquilo que é da ordem da falta de representação. Nem o significante nem a imagem são suficientes para dizê-lo ou mostrá-lo. Adeus à ilusão do bloco mágico!

Assim o expressam os textos que poderão ser lidos a seguir e que são uma contribuição ao tema que exploraremos no próximo ENAPOL. Cada um a sua maneira transmite esse impossível de ver. Sérgio de Campos destaca a parcialidade da pulsão introduzindo o lugar do resto, que é também o que resta à imagem. Nora Guerrero de Medina nos ensina sobre um uso possível do analista, para encontrar um limite a um gozo sexual que transborda a tela. Isolda Arango Alvarez assinala o gozo que permanece nas entrelinhas, a partir de uma imagem que oculta o indizível nos cortes do corpo.

Finalmente, me apoio na primeira parte da conferência de Miquel Bassols no encerramento do último Encontro Brasileiro, para dizer que na experiência analítica trata-se também de fazer existir o mal entendido das imagens, como um modo de fazer aparecer os tropeços com o real.

Desejo-lhes uma boa leitura!

 

Tradução do espanhol: Paola Salinas