images_1Pareceu-nos interessante, no momento em que estamos da preparação do VII ENAPOL, destacar neste editorial uma nuance que nos prendeu a atenção desde o momento do anúncio do tema: “O Império das Imagens” – sucedeu-nos interrogar as similitudes e diferenças entre o que estaria no centro desse debate e daquele que foi tema do Encontro Brasileiro em 1995 – ocasião da fundação  da Escola Brasileira de Psicanálise – “A imagem rainha”. Ainda que agora falemos de “imagens” escrito no plural, isso em si mesmo não evidencia a diferença. Ora, “a imagem rainha” como sublinha J-A.Miller  interessa à psicanálise na medida em que funciona como “o lugar onde o imaginário se amarra ao gozo” sendo o que dará consistência à fantasia. Nesse sentido, e seguindo a letra de sua conferência, interroga se a “imagem rainha” não seria o equivalente, no imaginário, ao significante-mestre no simbólico. Ainda que em seus desenvolvimentos essa tese não permaneça como uma mera afirmação, acompanhamos ali a constante submissão da imagem ao significante, chegando a chamá-la de “significante imaginário”. Essa é uma leitura que supõe, ainda, uma certa primazia da ordem simbólica cuja lógica escreveria um rebaixamento do imaginário em favor do simbólico. Entretanto, quando Miller vai, na Orientação Lacaniana, em direção ao  ultimíssimo ensino de Lacan, deixa claro que, além da equivalência entre os três registros (embora heterogêneos), o simbólico fica reduzido ao seu furo, enquanto o real é ex-sistência e o imaginário a consistência. Se o imaginário e o simbólico se enlaçam constituindo os semblantes que, por estrutura se opõem ao real, nos perguntamos quais vias de interpretação nos abrem o título desse Encontro Americano. Encontramos no “texto argumento” três afirmações que nos orientam quanto a isto:
1 – “O império das imagens… é o véu de Maya… que se projeta sobre o muro da linguagem”.
2 – “ …na falta do recurso simbólico, a imagem comanda…”.
3 – “ …O império das imagens parece ocupar o lugar das referências que vacilam na atualidade”.
São afirmações que redundam na concepção do “fracasso do simbólico” como recurso do que vem do real, fazendo vacilar os semblantes que sustentaram a civilização durante os últimos séculos. Nessa medida, o “império das imagens” vem ocupar, na atualidade, o vazio de referência. Entretanto, como perspectiva política da psicanálise de Orientação Lacaniana, não nos cabe contemplar a realidade, mas recolher o que cai do “império” como pedaços de real que, desde sempre, modularam o sintoma.
Boa leitura.

Luiz Fernando Carrijo da Cunha
Presidente da Escola Brasileira de Psicanálise
AME da EBP e da AMP
AE em exercício